Volta às aulas!

Estou pegando carona numa reportagem compartilhada nas redes sociais do ViverAgora, que destacou uma pesquisa sobre a volta da geração sênior para a universidade, porque eu também voltei para escola aos 64 anos, para fazer um mestrado e a experiência foi incrível.

Pra começar um rápido flashback. Eu me formei jornalista em 1974, pela Fundação Armando Álvares Penteado. Logo depois parti para pós-graduação. Meu objetivo era França, mais precisamente a École Pratique des Hautes Études Sociales et Politiques, em Paris. Tudo certo. Orientador definido, o professor uruguaio Roque Faraone e o tema da dissertação: “Imprensa nanica: um caminho para o jornalismo popular”, aprovado. Era o tempo dos tabloides, do Pasquim, do Movimento, do Bondinho, da Versus, entre outros. Mas daí mataram meu amigo, professor e chefe na TV Cultura, Vladimir Herzog e o Itamaraty cancelou minha bolsa de estudos. Fugi para a Inglaterra para não ser preso, mas visitei várias vezes minha ex-futura escola, afinal Paris era muito mais interessante que Londres. Hoje nem tanto…

Voltei um ano depois e retomei o projeto de pós no início dos anos 80. Desta vez um mestrado na ECA/USP. A dissertação tinha como tema a Implantação da TV a Cabo no Brasil, que ainda era uma novidade. Seis meses depois desisti, pois os melhores professores não compareciam e os substitutos não estavam à altura.

Em 2016, por insistência do amigo e professor Sebastião Squirra, voltei para a universidade, desta vez para a Metodista para um mestrado em Comunicação Social. A experiência foi muito interessante, pois ao contrário da maioria dos alunos, eu não tinha pretensão de seguir carreira acadêmica e, portanto, tinha mais liberdade para discutir e questionar certos rituais da pós. A vantagem de voltar à escola com experiência profissional é que você aprende e contribui ao mesmo tempo, mas devo admitir que cada aula  me permitia descobrir algo novo, pois é nesse ambiente que as ideias circulam – ou deviam circular – mais livremente. A avalanche de novos conhecimentos foi tanta, que mudei meu projeto de dissertação várias vezes, tão estimulantes eram as descobertas do dia a dia.

No final, por recomendação do meu experiente orientador, optei por tratar do tema que tem me encantado nos últimos anos: os impactos da ciência e da tecnologia na longevidade e o papel da comunicação na difusão de informações para a geração sênior.

Minha dissertação de mestrado foi aprovada pela banca semanas atrás, mas o fato é que a experiência fortaleceu a necessidade de manter o foco do meu trabalho na mesma direção, para que mais brasileiros saibam como é possível viver melhor os muitos anos que temos pela frente e possam entender como as inovações podem contribuir para melhorar a nossa qualidade de vida.

É bem verdade que por enquanto há mais dúvidas que certezas nesse campo, mas é inegável que a medicina está contribuindo para ampliar a expectativa de vida, e que a convivência entre o homem e a máquina deixará de ser ficção em breve. Nossa missão é amplificar o debate sobre esses temas.

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