Um velho fato novo

O IBGE apresentou recentemente uma revisão do estudo Projeção da População do Brasil 2018, revelando uma tendência que cresce em todo mundo: a partir de 2039, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais será superior ao de crianças até 15 anos e, por volta de 2060, esse universo vai representar 25,5% da população brasileira.

São números que impressionam, mas que são tratados pela mídia sob a ótica puramente estatística. Na prática, essa grande parcela de brasileiros, que hoje somam cerca de 30 milhões de pessoas, continua sem poder vislumbrar um horizonte claro para o futuro.

É um fato que assusta, pois a expectativa de vida também vem crescendo, nos obrigando a pensar como viver mais e melhor os anos que temos pela frente. Salvo raras exceções, a aposentadoria é insuficiente para pagar todas as contas, mas mesmo assim muitas famílias ainda são sustentadas por eles, que são os únicos com renda compulsória, ainda que modesta.

Quando se fala em políticas públicas, o problema fica ainda mais cabeludo, pois o impacto desse cenário vai afetar diretamente as contas públicas, ampliando o déficit que para 2018 está estimado em 150 bilhões de reais. Não podemos mais adiar o debate sobre esse tema, que deve envolver o governo e a sociedade civil, pois, caso contrário, corremos o risco de estar promovendo a exclusão social de milhões de pessoas, que já deram sua contribuição para o país e agora esperam a justa recompensa por décadas de trabalho.

De outro lado, há os que não podem ou não querem parar e poderiam estar contribuindo pró-ativamente para o desenvolvimento do país, afinal a experiência ainda é um ativo que deve ser levado em consideração.

Desde seu lançamento, o portal ViverAgora vem chamando atenção para o fato de que essa população merece atenção. Quem sabe agora, que os números são oficiais, os atores que detém o poder de decisão entrem em cena para repensar e corrigir a trajetória que hoje ainda é extremamente obscura para todos nós que cruzamos a barreira dos 60 anos.

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