Tenho pena

Tenho pena de quem não gosta de poesia. De quem não aprecia a boa música popular brasileira. De quem não aprendeu o idioma Português e dele não extraiu seu sumo de beleza.

Tenho pena dos que não ouvem a voz de seu coração, não compreendem a irmandade de tudo. Não amam a natureza, os animais, as estrelas, o mar, as auroras e nunca pararam pra sentir a tristeza do pôr do sol.

Lamento pelos que nunca compreenderam que cada um de nós é Deus e parte de Deus e parte do todo. Gente que nunca teve tempo, interesse, condição, capacidade de ver que temos o universo em nós e dele somos parte. Que não há passado nem futuro, só este imenso presente que nos é dado como se todo dia fosse nosso aniversário.

A beleza da vida! Quanta pena tenho dos que não podem senti-la, sendo ela onipresente! Pena dos que se sentem melhores ou piores que qualquer outro ser humano do planeta. Pena dos onipotentes, dos fracos, dos mentirosos e, principalmente, dos inconscientes.

O desperdício da vida me dá enorme pena. Dos dias e noites perdidos em sofrimentos evitáveis, inventados, desejados.

Pena de mentes que funcionam demais. De gente que vive mergulhada no barulho ensurdecedor do som estereofônico de seus egos. E por isso não aprecia o doce sabor do silêncio.

Mas aprendi a não ter pena dos que sofrem. Sofrimento também é escolha e o caminho de cada um, quando adulto, é feito das decisões tomadas a cada momento.

Colhemos o que plantamos no solo fértil de nosso universo e nossa vida exterior, material, é reflexo de nosso interior, como indivíduos, como espécie.

Sei que riqueza e pobreza são conceitos bastante discutíveis.

Abomino a vulgaridade de nossos políticos, a parcialidade estúpida de nossa mídia e o intragável “estilo de vida” que ela vende. Me surpreende a capacidade de inventar e vender mentiras como se fossem verdades. E o fato de que tanta gente as compre sem qualquer questionamento.

A perda de tempo com tantas futilidades! A perda de tantas vidas sagradas por causas facilmente evitáveis. Por culpa da ignorância e da ganância.

Tenho pena dos que não se conhecem, não ouvem seu coração, não honram a sua essência. Dos que vivem como marionetes, como capachos.

Não se dão valor, não celebram a glória de estar vivos, de respirar, de sentir, e a possibilidade de aprender sempre, de se relacionar.

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