Tecnologia

Não é que eu não goste dela, que seja contra ela, que veja nela o mal da humanidade, a salvação ou a desgraça. Tecnologia é ferramenta. O que importa é o conteúdo da cabeça e a qualidade do coração e os valores de quem a usa.

O diabo é que não me dou bem com ela. O que é óbvio, simples, intuitivo para um jovenzinho quase com idade para ser meu neto, no Vale do Silício, para mim é indecifrável hieróglifo.

Talvez por isso tenha uma preguiça atávica de aprender funções ou usos de celulares e computadores. Ou controles remotos, ou aparelhos de som, ou… Em resumo, sou um desastre no IPhone (que não por acaso começa com ai…), no McBook, e em tudo mais que exija o manuseio de botões, teclas ou qualquer coisa que o valha.

Quando era jovem fiz curso de datilografia. Ainda não tínhamos no Brasil as máquinas elétricas, com as quais, reconheço, nunca me dei bem. Aquela história de trocar as esferas… Sei lá, devia ter adivinhado que era um mau presságio. De lá pra cá, tudo se transformou na velocidade da luz . Impossível acompanhar a evolução da tecnologia e a cada ano essa velocidade cresce em níveis exponenciais.

Não adianta disfarçar. Não tenho jeito pra coisa. Não consigo me virar com a impressora, com o laptop e detesto, simplesmente detesto o celular. Acho invasivo, indelicado, um objeto que incentiva o narcisismo e promove a má educação em lugares públicos.

Tenho verdadeiro horror a selfies, a pau de selfie, a gente que faz selfie o tempo todo, que posta sem parar. Grupos de WhatsApp, só os da família, pra falarmos das crianças, e dos amigos do peito. Mesmo assim me incomodo com o falatório diário.

Não é que não consiga aprender. Sei por experiência que só apreendemos aquilo de que gostamos. É que não quero aprender, perder meu tempo com instruções e teclas e comandos. Detesto esta palavra, comando.

O resultado de tanta implicância é uma ignorância abissal em temas hoje considerados imprescindíveis para a existência humana, em especial no ambiente de trabalho.

Reconheço meu pecado, Ó senhor Deus da Tecnologia. Confesso que gasto minhas horas lendo poesia, romances, jogando Buraco com minha mãe, batendo papo, ao vivo, com as pessoas de quem gosto, em vez de me dedicar a entender as milhares de funções do meu IPhone. Mal consigo ver um email ou mandar uma imagem. Atender, falar e dividir algum contato ao mesmo tempo exige um esforço sobre humano de minha neandertal pessoa.

Deixo irritados meus filhos, o marido, os enteados, noras e sobrinhos, sempre mendigando um favor tecnológico, uma ajudazinha, uma instrução qualquer. Mas, o que fazer? Quando penso em aprender algo, esse algo já foi superado por outro algo completamente diferente do anterior, mas muito, muito mais eficiente e rápido.

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