Revoada

Revoada

Raro olhar o céu de São Paulo e ver um céu de Brasília transplantado. Domingo passado foi assim, dia sem traço de nuvem a macular a perfeição azulada.

O sol convidava a passear, sair de dentro de nossas caixas de concreto. Admirava a realeza da manhã quando avistei, ao longe, bem alto no céu, uma mancha que se deslocava com velocidade.

Não enxergo bem, por isso duvidei. Não podia ser! Abri e fechei os olhos, apertei-os para conseguir focar melhor e então meu rosto se abriu em um amplo sorriso de satisfação!

Sim! Em plena manhã ensolarada, cruzando um céu de imaculado anil, um bando de pássaros voava em uníssono. Graciosos, concatenados, desenhavam seu balé celestes alheios à cidade monstruosa, cinza, malcheirosa, desigual, injusta, violenta, esburacada, feia.

Decerto vinham de longe, talvez até da América do Norte, retornando de longa migração em busca do calor do verão do hemisfério Sul. Voavam convictos, aproveitando alguma corrente de ar propícia. Voavam elegantes, quem sabe felizes por não ter que aportar por aqui, em busca de outra paragem mais bela, mais limpa, onde a natureza é conservada e os dias são sempre azuis.

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