Paraíso oculto

Tenho uma praia deserta na minha vida. Ela fica a três horas de carro de São Paulo. Eu a frequento há quase quarenta anos e ela continua imaculada!

Pra chegar lá, só indo de barco ou pela trilha, sete quilômetros morro abaixo e morro acima. Fica numa reserva florestal, incrustrada na Mata Atlântica.

A praia tem o tamanho exato, nem grande, nem pequena. Coberta por areia branca, é uma joia de beleza, uma pérola circundada pela mata virgem tropical. O mar é limpo, tem um canto mais calmo, ideal para nadar.

Nesta praia curei mágoas, celebrei alegrias, corri atrás dos meninos pequenos, pra passar protetor solar. Nela encontro amigos queridos, de muitos anos. Em suas sombras naturais, leio romances, poesia. Contemplo o pôr do sol, vejo golfinhos cruzarem o horizonte.

Bichos de todo tipo aparecem na nossa casa, vindos da mata. Eu não gosto deles, tenho medo, mas reconheço que estamos invadindo seu lugar e humildemente peço que me desculpem pelos inseticidas que espalho, como uma barreira, em volta da propriedade.

Sempre que posso e tenho companhia, fujo pra lá. Não troco minha prainha por nada no mundo, nem temporada de cultura ou compras em Nova York, nem pelos restaurantes de Paris ou a beleza inquestionável da Province ou da Toscana.

Lá é o paraíso. E pra que continue assim, me perdoem, mas não conto onde fica!

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