Orientais: longevidade com cuidado familiar

Orientais: longevidade com cuidado familiar

São raras as culturas que creditam respeito e sabedoria aos mais velhos, ao invés de enxergá-los como um problema social a ser resolvido. A sociedade asiática é uma exceção. Eles são tratados como uma espécie de reserva técnica de conhecimentos e são cuidados até o último dia de vida, pela própria família.

As pessoas mais longevas do mundo vivem naquela região do planeta. Pesquisa de Competividade Global, divulgada no World Economic Fórum deste ano, indica que Hong-Kong tem a maior expectativa de vida do mundo com 84 anos,  seguida do Japão com 83,6 anos. É fato que a dieta, o estilo de vida e o biotipo dessas pessoas contribui, mas é fato também que o suporte da família exerce um fator importante nesse processo.

Nas sociedades ocidentais mais desenvolvidas, os avanços foram motivados pelo acelerado envelhecimento das populações. Soluções criativas ocorreram ao longo do tempo, como, por exemplo, na Holanda, onde o governo promove a convivência entre jovens e idosos em condomínios públicos.

Nos países em desenvolvimento o quadro é diferente. A realidade socioeconômica impõe à geração sênior o complicado desafio de sobreviver em meio ao desemprego crescente, a uma sociedade competitiva e ao fato novo da longevidade. No Brasil, enquanto a expectativa de vida já é superior a 77 anos, o Governo Federal promove mudanças nas regras de aposentadoria, obrigando aposentados a voltar para o mercado de trabalho, não mais por opção, mas por necessidade de sobrevivência. O quadro é tão distorcido que os idosos com renda – por menor que seja – ainda sustentam os filhos desempregados.

Para entender porque na Ásia os mais velhos recebem atenção especial, é impossível não recorrer ao filósofo Confúcio (IV e V a.C.). O ‘culto aos antepassados’, uma prática que remonta às origens da China, foi certamente influenciado por ele, em especial a partir da Dinastia Shang. Ele forjou também um conceito vital para aquele modelo de sociedade, o da ‘piedade filial’.  Para ele, a família desempenha um papel central: “…aquele que possui uma grande piedade filial, ama seu pai e sua mãe até o último dia de sua vida” (Os Anacletos, Cap. III).

É bem verdade que há um imenso gap entre as culturas asiáticas e ocidentais que, provavelmente, nunca será eliminado, mas para quem vive naquela região do planeta, não há dúvida de que Confúcio é o cara!

 

Foto: Ptanime.com

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