Órfãos de filhos vivos: o abandono dos mais velhos Viver Agora

Órfãos de filhos vivos: o abandono dos mais velhos

“Surgiu nas últimas décadas uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família”, diz a psicoterapeuta e escritora Ana Fraiman em um artigo publicado em abril deste ano.

 Ao acompanhar esse texto, o leitor experimentará diversas sensações. E pode encontrar, narrado com detalhes, ainda com surpresa, o próprio comportamento e o esforço que faz para manter distância de seus pais, avós, tios, sogros e familiares mais velhos.

 “É uma dura crítica ao modo que pais e sogros, na atualidade, têm sido desprezados, por seus filhos e agregados”, diz a especialista sobre o artigo.

 De acordo com Fraiman, esse comportamento transmite aos netos a certeza de que bastam algumas poucas visitas, rápidas e ocasionais, alguns telefonemas semanais, um almoço ou jantar de vez em quando, um acompanhamento ao médico necessário, para cumprir o que lhes caberia fazer pela saúde e bem estar dos mais velhos.

Órfãos de filhos vivos: o abandono dos mais velhos Viver Agora

“Surgiu nas últimas décadas uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo”, diz Ana Fraiman. Imagem: Reprodução

“A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições”, destaca a terapeuta ao narrar a história de um homem que ela conheceu em Brasília.

“Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças”, conta ela.

“Hoje temos a casa toda mobiliada e temos saúde. Não falta nada de nada. Nossos filhos foram maravilhosos. Nossos netos estudaram nas melhores escolas. Dois deles são doutores. Não conhecemos direito os bisnetos. Eu e minha esposa, que Deus a tenha, fomos muito pobres, de não ter sapato, de dormir embrulhados em folhas de jornal. Mas nunca sentimos uma coisa: falta de carinho falta de respeito. Os meus filhos, sim, eles reclamam que os filhos deles não têm tempo nem para uma visitinha. Ficam o fim de semana todo lá sentados um olhando para o outro, enquanto os mais jovens fazem churrasco com os amigos e eles não são convidados”, disse o homem, idoso, analfabeto, que agradecia ao filho por tirar, ele e a esposa, do sertão, para escapar da fome, da sede e da solidão.

A íntegra do artigo está em um arquivo PDF, liberado para download e leitura na página de Ana Fraiman (clique aqui para baixar).

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