O fator humano

Hoje quero centrar meu artigo nas relações humanas, vitais e necessárias. Por mais que a tecnologia nos permita conectar pessoas em tempo real, em qualquer parte do mundo, nada substitui o contato humano. Aliás, resgato aqui uma frase do amigo Jeff Gomez: a menor distância entre duas pessoas é uma boa história e essa é uma boa história, podes crer.

Minha prima Ana Maria nos deixou aos 66 anos. Mulher batalhadora, opiniática como dizia o ator Paulo José, que nunca deixou de assumir sua opção sexual, mesmo diante de uma família tradicional italiana. Ela tinha no humor sua maior qualidade. E esse humor ela levou até seus últimos momentos de vida. Acredite se quiser. A irmã Teresa (irmã mesmo), que a acompanhou até o fim, me contou uma passagem hilária da Aninha. Na cama do hospital, seminua, começou a ser examinada pelo médico de plantão. Eis que ela se vira para Teresa e diz: “maninha, você queria estar no meu lugar, hein? Com esse gato me apalpando aqui e ali. Pra mim num faz a menor diferença. Nem cosquinha…” Essa era a Aninha.

O enterro foi neste dia 4 de julho no Cemitério da Paz, num final de tarde espetacular, com um sol se pondo colorido é uma meia lua brilhante, iluminado o céu e a terra de azul. O cenário ideal para receber Aninha. Mas tudo isso nem é tão importante. Relevante sim foi o que descobri no velório, aquele lugar improvável… Fiquei sabendo que ela se formou enfermeira e estava trabalhando num hospital público com crianças com graves problemas de saúde, muitas delas abandonadas pela própria família. Uma surpresa essa Aninha. Um trabalho difícil e necessário e ela, mais uma vez, doando seu bom humor para atenuar o sofrimento dos pequenos, muitos deles largados à própria sorte, e que tinham nela uma mão amiga. E eu fiquei sabendo disso bem nesse dia. Uma pena, mas foi melhor saber do que desconhecer o fato de que ela era e sempre será uma mulher especial para mim e para toda família.

Resolvi tratar desse tema, porque muitas vezes a gente esquece a família, por motivos diversos e às vezes fúteis. Mas é no papo, dialogando com uns e outros de vez em quando, que a gente descobre como anda a vida de cada um. Minha tia Cida, por exemplo, estava muito triste. Olhou o reverendo de frente e disse: “tá tudo errado, né? Eu é que devia estar nesse caixão e não ela”. Na sua fé, o reverendo respondeu: “são os desígnios de Deus”. Na verdade, a gente começa a morrer quando nasce. O que a gente precisa aprender e praticar, insistentemente, é desfrutar a nossa passagem aqui pela terrinha. Viver o Agora é o que importa! Viva a Aninha!

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *