O Brasil grisalho

O Brasil grisalho

O Brasil já conta com mais de 20 milhões de idosos e a pergunta que não quer calar é ‘Por que as políticas públicas ainda estão aquém das necessidades dessa expressiva faixa da população?’

Durante muito tempo o Brasil ostentou o título de país do futuro. A definição foi dada por Stefan Zweig, escritor judeu austríaco, no final do meio do século XX, quando ele veio morar em Petrópolis (RJ), fugindo do nazismo. Mas, agora o nosso país tem cabelos esbranquiçados. Já somamos 20 milhões de idosos (acima de 75 anos), sendo que apenas no Estado de São Paulo esse contingente da população totaliza 15% dos habitantes. E a faixa etária que mais cresce (e velozmente) é a de acima de 80 anos!

Hoje comemoramos o Dia do Idoso, instituído a Organização das Nações Unidas (ONU) em 1991 e 15 anos da promulgação do Estatuto da Pessoa Idosa. Às vésperas de uma renovação nacional nas gestões executivas e legislativas do país, cabe refletir sobre os avanços e, principalmente, desafios que a sociedade brasileira ainda terá que vencer para respeitar e cuidar de sua população madura condignamente.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa média atual de vida do brasileiro é de 75 anos (nos estados do Sudeste e Sul é quase três anos maior). Por que as políticas públicas ainda estão aquém das necessidades dessa expressiva faixa da população?  O Estado não estava preparado, foi uma surpresa esse crescimento de idosos?

” A queda de mortalidade e a baixa reposição da população estavam claras há muito. A velocidade do envelhecimento populacional realmente foi grande. No entanto, já havia demonstrativos e cenários para aprimorar as políticas públicas, as políticas intersociais para esse momento”, explica Egidio Dorea, diretor de Desenvolvimento Institucional do International Longevity Centre – Brazil (ILC), entidade presente em 15 países, além de coordenador da Universidade Aberta à Terceira Idade da USP e professor de Medicina  Universidade da Cidade (Uncid) e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).

O grande problema que esse estudioso em questões do envelhecimento aponta é a falta de continuidade das políticas públicas, interrompidas ou redesenhadas a cada administração. A chamada inversão demográfica do Brasil acontecerá em 2050, quando a população de idosos será 25% maior do que a de jovens até 15 anos. Estaremos nos igualando a países como Canadá e Japão nesse quesito, mas, infelizmente, com uma estrutura social dirigida aos idosos muito menos eficazes.

Como avançar?

O diretor de Desenvolvimento Institucional do ILC sinaliza dois pilares importantes para o Brasil reverter o déficit de atenção para com sua população madura. “O envelhecimento tem que ser encarado como uma fase natural da vida, como o nascimento e a maturidade, Esse conceito, essa visão, passa pela educação de crianças e jovens. Só assim vamos conseguir diminuir o maior e mais cruel de todos os preconceitos no mundo, que é o preconceito contra a pessoa mais velha”.  Dorea  completa enfatizando que estudos na área calculam que os idosos respondam por 21% da massa de rendimento total do país. “O que falta é a população encarar que o idoso ativo é o que mais faz girar a economia, contribuindo efetivamente para o crescimento e bem-estar do país como um todo”.

A revolução da longevidade, segundo Dorea, começa agora, e seus agentes serão os brasileiros que têm ou vão completar 65 anos. “São eles que vão ditar os novos paradigmas nessa área. Haverá desafios, é evidente, mas como sabemos também novas oportunidades poderão ser abertas nesse processo”. Portanto, há luz no final do túnel. Cabe a todos nós buscá-la.

Reportagem: Selma Panazzo

 

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