Minha 1ª vez...no consultório do geriatra

Minha 1ª vez… no geriatra

A jornalista Selma Panazzo, 60 +, relata sua experiência com sensibilidade e humor.

Está grafado no RG. Sou sexagenária e começo a trabalhar minha cabeça para enfrentar novas experiências dessa faixa etária. Uma delas parece trivial, mas pra mim muito emblemática: substituir o clínico geral por geriatra. O simples termo fez com que eu pensasse em idosos com cadeiras de roda ou balão de oxigênio entrando no consultório que também eu ia visitar.

É preciso assumir, levei alguns meses para afastar essa ideia preconcebida e decidir que esse era o melhor caminho de medicina preventiva para pessoas a partir da minha idade.

Temor e preconceito vencidos lá vou eu para minha primeira consulta geriátrica. Enquanto aguardo minha vez, uma senhora reclama em alto e bom som que “está sendo enganada” pelo convênio. “Marquei consulta com geriatra e quando entro no consultório descubro que ele é clínico geral.”, grita com a atendente que, por mais que fez, não conseguiu convencê-la de que “era a mesma coisa. Ambos têm a mesma formação”. O caso foi levado para a direção da Unidade e ponto para a senhorinha que foi atendida por um geriatra.

E qual a minha surpresa quando atentei para minha senha e li Clínico Geral. Não gritei tanto quanto minha antecessora, mas também briguei pelo meu direto. Afinal, não ia jogar no lixo meu preparo psicológico abrindo mão da consulta com um médico geriatra. Depois do entrevero anterior, o meu caso foi resolvido rapidinho e, para minha sorte, acabei sendo atendida pela diretora da área de geriatria.

A empatia foi instantânea. “E aí garota, o que te traz aqui”, foi sua primeira frase acompanhada por um largo e acolhedor sorriso! Consulta de rotina, a maior preocupação era com o controle da tireoide (a medicação parecia estar abaixo da  dose indicada para o meu caso). Claro que sai do consultório com uma lista imensa de exames para investigar o meu estado geral (quem não sai?). As letrinhas estavam todas lá: TSH,THL,HDL,LDL …

No retorno, já me sentindo uma veterana, a confirmação: tudo em ordem, apenas aumentar a dosagem do remédio da tireoide. Além de mais tranquila, me senti (bobamente) orgulhosa: tinha conseguido iniciar uma parceria importante com minha geriatra. É a primeira vez, a gente não esquece!

 

Selma Panazzo

Jornalista

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