Lavar a louça

Lavar a louça

Tem gosto de prazer aquilo que a gente faz raramente. Comer fora, num bom restaurante japonês ou árabe. Viajar pra bem longe. Encontrar alguém querido que não vemos há anos.

Muitas coisas me dão prazer, coisas simples, pequenas, cotidianas. Lavar louça é uma delas. Não faço isso todo dia, nem toda semana. Faço quando quero, porque desejo, então faço de coração leve, feliz, cantando.

Primeiro visto o avental – que fica à espera, impassível, escondido na despensa, e só é usado nestas ocasiões festivas. Depois rearranjo toda a louça, passo na água quente e deixo de molho, com rápidas rajadas de detergente.

Quando tudo está organizado ao meu gosto, começo a tarefa e só a interrompo quando tudo está acomodado no escorredor ou empilhado sobre um pano de prato limpo na pia, ao lado da fruteira.

Gosto da sensação do dever cumprido com capricho: copos, pratos, panelas, frigideiras, talheres, tudo luzindo, cheirando a limpeza. Não seco nada, espero o tempo cumprir seu dever. Trabalho é bom, mas trabalho inútil é burro. Também não me apresso em guardar o que ainda está úmido. Cada coisa a seu tempo.

E por falar em tempo, nos últimos meses, apesar da ginástica, da massagem, da academia, minhas costas reclamam e minha cervical grita depois destas raras sessões de lavagem de louça. Uma dorzinha me acompanha até a cama, na hora de dormir. A vecchiaia é mesmo brutta!

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