Gentileza e Adeus ao poeta

Me chegou hoje, pela internet, um discurso feito há três anos por um professor norte-americano para uma classe de formandos na universidade. O homem devia estar na faixa dos sessenta e poucos, talvez muitos.

Em lugar de falar sobre os desafios da entrada no mercado de trabalho, de abordar temas intelectuais, ele falou sobre o que realmente era importante pra ele na vida: que nós, como seres humanos, devemos focar na gentileza, não perder nenhuma oportunidade de ser amorosos com todos que nos rodeiam.

Ele se lembrou de um episódio da infância, do fato de ter ignorado o sofrimento de uma coleguinha de classe, hostilizada pelas demais crianças. Ainda sente o sofrimento causado a ela e se arrepende de não ter sido solidário, embora nunca a tenha maltratado.

Ele ressaltou a importância dos pequenos gestos e pediu aos jovens formandos que não se esqueçam deles na luta por sucesso, carreira, dinheiro, fama.

Concordo com este sábio senhor em todos os gêneros, números e graus. Sempre pensei assim. E me arrependo de todas as vezes em que não consegui ser solidária, paciente e amorosa. Recordo de pequenos episódios com tristeza. Com certeza as “vítimas” da minha desatenção nem se recordam. Mas eu, sim.

Nosso conturbado mundo seria bem diferente, da noite para o dia, como num passe de mágica, se todos aprendessem esta tão simples lição: que gentileza gera gentileza, que Deus está nos detalhes.

ADEUS AO POETA

Quando morre um grande poeta o universo fica mais vazio, como se a luz de uma estrela se apagasse para sempre.

Leonard Cohen morreu há pouco, em Los Angeles, aos 82 anos, deixando saudades em seus milhões de fãs. Nascido em Montreal, no Canadá, ele perambulou pelo mundo e fez muitos admiradores com suas letras profundas, cantadas com voz anasalada, que me lembra a de Arnaldo Antunes.

Pouco conhecido no Brasil, Cohen inspirou gerações de outros músicos e poetas. Era chamado de o compositor dos compositores, e a todos conquistou com o rigor de suas palavras, com o maravilhoso uso que fez delas ao falar de amor, de desespero, solidão, crenças ou política.

Neto de rabino, converteu-se ao budismo, viveu num mosteiro por alguns anos e poucos meses antes de morrer lançou o álbum “You Want it Darker”, em que canta “I am ready, my Lord”. Parece que ele estava intuindo que seu momento de partir era chegado.

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