Gente que inspira: Neuza Guerreiro de Carvalho

“Receita de qualidade de vida não é receita de bolo”, diz aos 87 anos

Neuza Guerreiro de Carvalho também é conhecida como Vovó Neuza. E não só pelos quatro netos e dois filhos, mas pela internet! Aos 87 anos, Neuza é blogueira (vovoneuza.blogspot.com.br) e não para um minuto fora da rede também.

Atualmente, Neuza considera ter duas grandes atividades: os Encontros de Resgate de Memórias que promove na Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) da Universidade de São Paulo (USP) e o resgate da história da cidade de São Paulo.

Além disso, Neuza escreve para seu blog, faz palestras, frequenta o Clube do livro da Academia Paulista de Letras, os Encontros Culturais na USP e os mensais do Lab60+, e ainda cuida de uma árvore ilhada no centro de São Paulo.

“Em 1948 entrei na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP para cursar História Natural. Não existia a Cidade Universitária, estudei na Alameda Glette. Mais tarde, o prédio foi demolido e só ficou a Figueira, e um dos meus trabalhos atuais é cuidar dessa árvore, estamos na luta pelo tombamento.”, explica.

E qual o segredo para chegar aos 87 anos com essa energia e a cabeça em pleno funcionamento? “Receita de qualidade de vida não é receita de bolo”, diz. “Cada um tem qualidade de vida de acordo com o que gosta. Eu gosto de ler, escutar música, de vez em quando fazer tricô, mas sempre colocam regras sobre isso e eu não concordo de jeito nenhum”, destaca Neuza.

Encontros de Resgate de Memória

Hoje os encontros acontecem na USP, dentro do Hospital Universitário, mas dona Neuza os promove desde 2004 em diferentes locais. “Comecei a trabalhar com memória em 1997, alguns parentes tinham diários e sabiam que eu gostava, então fui depositária dessas coisas. Comecei a escrever também, pois estava para me aposentar, cuidando de neto, e quis achar algo diferente para fazer.”, descreve.

Neuza mostra as pastas com suas memórias de vida e trabalho

Em 2004 surgiu a ideia de fazer esses encontros e a importância do resgate dessas memórias se dá por algumas razões, entre as mais significativas: a recuperação da autoestima do participante (“eu sou quem sou, porque me recordo quem sou”) e a perpetuação dos conhecimentos e da história de cada um. “Existe um ditado africano que diz que ‘quando um velho morre, é toda uma biblioteca que se queima’”, explica Neuza.

Por isso, ela diz que “é uma responsabilidade do idoso passar para frente tudo que sabe, pois toda pessoa tem um dom e tem a obrigação de ensinar o que faz, não adianta guardar para nós”.

Mais sobre a Vovó Neuza

São muitos os anos de vida da dona Neuza e maiores ainda são seus conhecimentos e atividades. Só de cursos na UATI foram mais de 43 frequentados, dos mais variados temas. Por isso se você gostou dessa figura inspiradora e quer conhecer mais, acesse o blog e assista abaixo algumas curiosidades.

Depoimento ao Museu da Pessoa.

Neuza fala no programa Conversa com Pedro Bial sobre Testamento Vital.

Atriz aos 87 anos – Neuza faz participação em mini série da Globo Vade Retro.

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