Fim do mundo

Desde pequena ouço minhas tias – que eu carinhosamente apelidei de “as bruxinhas”- falarem sobre Espiritismo e temas pouco ortodoxos, como o fim do mundo.

Tia Teresa tem hoje 90 anos e já não se lembra mais de nada. Mas eu me recordo perfeitamente: ela sentada na varanda da casa de praia, um livro de Nostradamus nas mãos morenas, e as previsões catastróficas da eleição do anticristo e do final dos tempos.

Éramos adolescentes. A Praia Grande tinha trechos de praias desertas. Passávamos dois meses de férias com os primos, entre cantorias e banhos de mar e de sol sem protetor solar que me levavam ao pronto socorro – eu, a única branquela de uma família cabocla.

Cinquenta anos depois, acordo com a notícia da eleição de Donald Trump e não consigo deixar de pensar em tia Teresa e suas crenças. E não me livro da impressão de que seria este o sinal previsto por Nostradamus para o final dos tempos.

Este homem, abjeto em todos os sentidos e deplorável sob qualquer aspecto ou ângulo, acaba de ser escolhido para governar o ainda mais poderoso país do planeta.

“Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem!” é a frase que me vem à mente. Estou atordoada pela profunda crise econômica, política e ética que assola o Brasil, e agora ainda mais preocupada com o que pode acontecer ao mundo.

Ganância e ignorância somadas são explosivas. Já estamos colhendo o que plantamos: seremos apagados do mapa e não deixaremos saudades no planeta, que continuará girando ao redor do Sol num universo em continua expansão, onde ninguém se lembrará de nós.

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