E a nossa vida em 2050? Viver Agora

E a nossa vida em 2050?

Será que a sociedade que tanto cultua a juventude esta preparada para uma nova realidade demanda?

O Brasil começa a ver sua população idosa triplicar. Em apenas 40 anos, os maiores de 60 anos, que eram 19,6 milhões (ou 10% da população nacional) em 2010, passarão a ser 66,5 milhões (29,5% dos 226 milhões de habitantes) em 2050, segundo as projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicadas em agosto. Portanto, se você é jovem hoje, fará parte desse grupo.

Mas se a década de 2050 lhe parecer algo distante ou inalcançável, saiba que dentro de apenas 15 anos, em 2030, o número de idosos já terá ultrapassado o de crianças até 14 anos e a população brasileira deverá parar de crescer – ou seja, a proporção de nascimentos e mortes estará em equilíbrio. E logo em 2040, possivelmente, passará a diminuir.

Na nossa sociedade que tanto cultua a juventude, será que estamos preparados para as mudanças de mentalidade e de dinâmica social que a nova realidade demanda? Seremos capazes de vencer a gerontofobia (como dizem os portugueses), de tirar a carga negativa de decadência e finitude que se costuma atribuir à velhice e de passar a vê-la como mais tempo para aproveitar a vida?

“Ainda que você seja jovem, a velhice já está em você, mesmo que seja amanhã. Quando se tem a consciência de que a velhice não é o outro, mudamos nossa postura. A velhice deixa de ser uma coisa distante e você começa a se enxergar e se perceber como um possível velho e a pensar como quer ser velho”, sugere a antropóloga Mirian Goldenberg.

Medos e desejos – Mirian, que recentemente entrou para o grupo da “melhor idade”, vem desenvolvendo essa ideia desde o seu livro A Bela Velhice, de 2013, e reforça o tema na sua obra lançada em junho Velho É Lindo, ambos da Editora Record.

“Velho todo mundo é, hoje ou amanhã. É a única categoria que engloba todo mundo. Seja branco ou negro, muçulmano ou católico, homem ou mulher, hetero ou homossexual… Se não morrer antes, vai ser velho. A velhice não é uma ruptura, é uma continuidade”, observa.

A antropóloga carioca estuda as representações sobre a velhice nas pessoas de 18 a 95 anos, seus medos e desejos em relação a essa fase da vida. Já são mais de 5 mil pesquisados por meio de entrevistas, questionários e grupos focais.

Antes de se dedicar ao envelhecimento, ela investigou por muito tempo a importância do corpo no Brasil e concluiu que o corpo jovem é tido como um capital no país, sobretudo para a mulher.

Por isso, as brasileiras costumam ter uma relação bem complicada com a passagem do tempo: um pânico de envelhecer associado mais que nada à aparência. “Já os homens têm mais medo de dependência física e impotência. Mas chegar bem à velhice não é chegar com a aparência jovem – porque fica qualquer coisa, menos jovem –, é ter projetos de vida, amizades, independência, bom humor, prioridades e saber dizer não”, resume o que ouve dos seus entrevistados mais maduros.

Apesar disso, ela enfatiza que o olhar que temos hoje no país não corresponde mais ao que é a velhice atualmente. É o olhar de uma velhice que ficou no século passado para quem está vivendo neste século.

Não só porque se vive cada vez mais, mas porque essa etapa é vivida de forma totalmente diferente de algumas décadas atrás: com muito mais liberdade, muito mais inserida na vida pública e com representações positivas que não existiam antes – entre eles, as atrizes Fernanda Montenegro e Marieta Severo, o ilustrador e empresário Maurício de Sousa e o escritor Luis Fernando Veríssimo.

Fonte: Planeta (leia a reportagem completa).

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