Discriminação no mercado de trabalho: como combater?

Programas de inclusão podem ser a saída para combater ageismo.

Entrar no mercado de trabalho não é tarefa fácil, e apesar do público acima de 50 anos possuir uma grande bagagem de conhecimento e experiência, acabam sofrendo ageismo, discriminação por conta da idade.

Em 2018, uma pesquisa da AARP, organização sem fins lucrativos dos EUA que tem como missão capacitar as pessoas a escolherem como querem viver ao envelhecerem, descobriu que pelo menos um a cada quatro trabalhadores com mais de 45 anos foram sujeitados a comentários negativos sobre sua idade de supervisores ou colegas de trabalho, e 76% deles enxergam a discriminação como um empecilho para encontrar um novo emprego.

“Eu tenho 69 anos, e isso significa que sou incontratável”, diz Diane Huth, que vive em Santo Antônio, nos EUA. “Eu trabalhei por mais de 40 anos em companhias de grande nome, mas não consigo um emprego, nem o mesmo que eu sucedi 15 anos atrás. Não consigo nem uma entrevista para esse emprego por conta de todos esses mecanismos de triagem. Eu sou apenas muito velha; ninguém me leva a sério para um trabalho na minha idade”, enfatiza Huth.

Um estudo publicado nos “Journals of Gerontology” indicou que idosos que não se sentem úteis têm três vezes mais chances de desenvolverem uma deficiência e quatro vezes mais chances de morrerem prematuramente do que os se sentem úteis.

As principais formas de ageismo cometidas são pelo recrutamento e contratação, quando candidatos mais jovens são favorecidos simplesmente por causa de sua idade; o preconceito no trabalho, quando trabalhadores mais velhos recebem menos oportunidades de treinamento, promoções e recompensas, ou são assediados; e a rescisão, quando uma empresa “atualiza” sua força de trabalho ou apara o orçamento, visando funcionários seniores para demissões ou incentivando-os a se aposentar.

Além de leis que visam criminalizar esse tipo de comportamento, o ponto de partida deve ser nas próprias empresas, a partir de programas de inclusão. “Precisamos trabalhar para alinhar as práticas dos empregadores com o século 21 e com a longevidade com que fomos abençoados”, diz Paul Rupert, fundador e CEO da Respectful Exits, uma empresa de consultoria sem fins lucrativos que está aumentando a conscientização sobre a discriminação de idade.

Outra estratégia deve ser em relação ao funcionário: “Se um funcionário valioso está disposto a permanecer e contribuir com sua sabedoria com 25% menos salário e menos dias no escritório, é uma situação em que todos saem ganhando”, diz Patti Temple Rocks, profissional da comunicação.

E, é claro, mantenha-se confiante no que você pode e contribui. Por exemplo, não caia nos mitos envelhecidos que nos levaram a esse ponto – que os trabalhadores mais velhos não são tão afiados quanto os mais jovens, são menos produtivos e não são tão confiáveis, não são tão inteligentes em termos digitais e são mais mal-humorados e difíceis.

Fonte: AARP

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