Cruzamentos

Todo dia ele se põe e quase ninguém olha pra ele. Todo dia ela nasce e poucos olham pra ela. Não há tempo, não há trégua.

A cidade ruge ao longe e eu daqui admiro o mais lindo pôr do sol. Sento, olho, respiro. No céu, cruzam aviões. Na Terra, cruzam destinos.

O pássaro pousado na antena de TV continua imóvel, impassível diante da beleza do fim da tarde paulistana. Alheio à sandice da cidade. Alheio ao sol que se põe e à cor púrpura do seu partir. Alheio a tudo que existe.

Mais e mais e mais aviões cruzam um céu azul bebê. E eu também já não vejo o sol, e não vejo a mim nem a você.

Ver é relativo, é coisa de gente metida. Sentir é melhor e mais justo. É a medida da vida.

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