Carrossel, Consumo e Vidinha

CARROSSEL
Vida passa tão depressa. Filhos crescem, peitos caem, anos somam propriedades, quilos, ais. Os velhos ficam doentes. As crianças, adultos. Contas chegam implacáveis: para os bons e os justos; para os maus e indignos elas chegam também. Ninguém escapada de nada. Como convém.

CONSUMO
Consumir é flor passageira, pra fugir de dor maior. Nunca chega pra conter a dor de viver só.

Silêncio traz contato. Agito, solidão.

VIDINHA

O pássaro ainda está lá, caminha de um lado a outro. Da vida ele nada quer, ou quer muito pouco. Eu o invejo assim, no pôr do sol. Invejo sua liberdade, suas asas, sua leveza.

Eu estou presa a amarras invisíveis, que surgem das profundezas do ser que em vão grita: Fica para a sobremesa!!!

Ele se foi, o pássaro. Eu fiquei sozinha. Mais aviões cruzam o céu, o sol se foi, a tarde finda.

Desligo o computador. Cansei desta vidinha…

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