Ai que frio

Ai que frio

Como a nos lembrar que tudo, sempre, pode ficar pior, o inverno de 2017 veio forte, resoluto, preguiçoso, sem pressa para ir embora. Não me lembro de ter sentido tanto frio nos anos passados. Ao contrário, parecia que o frio tinha decidido sair da cidade, acompanhado por muita gente ajuizada, que em número cada vez maior abandona São Paulo em busca de melhores paragens.

A frente fria chegou com força, soprada pelos ventos do Sul. E aqui permaneceu por mais tempo do que devia. Trouxe baixas temperaturas para nossas casas e corpos despreparados. Trouxe chuva fininha, céus encobertos, e matou de frio nossos pobres desabrigados.

Covarde, preguiçosa, passei dias sem sair de casa. Abandonei a academia. Esgotei o estoque de lenha, hipnotizada diante da lareira. Terminei dois livros começados há meses. Respondi e-mails antigos, liguei para os amigos distantes.

Pus pra tocar CDs empilhados, escapei do banho diário. Nem o netinho recém-nascido fui visitar. Descuidei ainda mais da leitura dos jornais, não busquei as más notícias de sempre na TV.

Fiquei farta de tudo – e não há brasileiro que não me dê razão.

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